quarta-feira, 27 de junho de 2012

Resenha: Sereia - Tricia Rayburn

Vanessa Sands, de 17 anos, tem medo de tudo – do escuro, de altura, do mar –, mas sua destemida irmã mais velha, Justine, está sempre por perto para guiá-la a cada desafio. Até que Justine vai mergulhar num precipício uma noite, perto da casa de veraneio da família em Winter Harbor, e seu corpo sem vida aparece na praia no dia seguinte. Os pais de Vanessa tentam superar a tragédia retornando à vida cotidiana em Boston, mas ela sente que a morte da irmã não foi acidental. Depois de descobrir que Justine estava escondendo diversos segredos, Vanessa volta para Winter Harbor, esperando que Caleb, o namorado de sua irmã, possa esclarecer algumas coisas, mas o garoto está desaparecido. Logo, não é apenas Vanessa que está com medo. Winter Harbor inteira fica em alvoroço quando outro corpo aparece na praia, e o pânico se instala à medida que a pequena cidade se torna palco de uma série de acidentes fatais relacionados com a água, em que as vítimas são encontradas sorrindo horrivelmente de orelha a orelha. Vanessa e Simon, irmão mais velho de Caleb, unem forças para investigar os estranhos acontecimentos e, no caminho, a amizade de infância se transforma em algo mais. Conforme eles vão encontrando ligações entre a morte de Justine e a súbita erupção de afogamentos assustadores na cidade, Vanessa descobre um segredo que ameaça seu romance com Simon – e que vai mudar sua vida para sempre.
O livro se resume em 3 palavras : Surpreendente. Interessante. Decepcionante. Sereia é um romance que você pega já imaginando toda a história. Para mim, pelo menos, foi assim. Eu estava curiosa, sim, mas também estava imaginando encontrar nas páginas desse livro todos os clichês que existem sobre sereias, inclusive as coisas que vemos quando crianças no filme da Disney. Talvez uma adolescente com tiradas engraçadinhas contando como é a vida de uma sereia entre os humanos, ou descobrindo que ela não é uma adolescente tão comum quanto desconfiava – apesar de achar que nunca foi completamente normal.
Acontece que o livro não é nada disso.
Já começa com uma tragédia. Justine, a irmã mais velha, mais bonita e mais popular de Vanessa - uma garota introvertida de 17 anos, nossa protagonista - pula de um penhasco para as águas de Winter Harbor, cidadezinha litorânea de Nova Inglaterra, e acaba sendo encontrada morta, mesmo já tendo feito isso antes milhares de vezes por diversão. Quero dizer, pular do penhasco.
Além disso, a cidade onde as irmãs passam todas as férias de verão desde sempre está passando por um período de estranhos acontecimentos metereológicos: tempestades súbitas, granito em pleno verão, marés que sobem com o dobro de velocidade. E a morte de Justine é só a primeira de uma série de acidentes fatais. Ou, ao menos, parecem acidentes a princípio.
Vanessa quer respostas - pois acaba descobrindo que não conhece Justine tão bem quanto pensava - e acha que só pode encontrá-las com Calleb, o namorado de sua irmã e a última pessoa a vê-la viva.Daí pra frente a história se desenrola de maneira surpreendente e o envolvimento de Simon, irmão de Calleb, torna tudo muito melhor de se ler. Ele é simplesmente fofíssimo.
Há partes do livro que são fisicamente dolorosas de se largar. Envolvem a gente de tal maneira que é impossível não engolir capítulo atrás de capítulo para descobrir o que vai acontecer, apesar de, em certa parte, ser possível imaginar que rumo a história vai tomar. A narrativa, mesmo sendo em primeira pessoa, para mim, foi impecável. Vanessa entende de tal maneira o que acontece a sua volta que em momento nenhum me senti perdida ou confusa.
Porém.É irritante como a autora, de certa forma, “quebra” a narrativa nos melhores momentos. No ápice de cada capítulo, ele termina e você vira a página numa gana terrível de saber o que vem a seguir só para pegar Vanessa num momento bem mais à frente. Até você se acostumar, é bem irritante – porque, na verdade, tudo não passa de um joguinho com a curiosidade do leitor, atirando-se centenas de perguntas durante o livro e só ir respondendo-as (ou não) quando o livro já se encaminha para o final.
O final é... decepcionante. Você fica esperando pelo clímax, ele passa e você nem percebe.
Fiquei pensando comigo mesma como a autora pode terminar o livro do jeito que terminou. Só tinha algumas perguntas para serem respondidas; umas cinqüenta páginas a mais seriam suficientes. Só então, pesquisando sobre a autora, que acabo descobrindo que Sereia não é apenas um livro, é uma série. Quando comecei a ler, estava animada com a ideia de me envolver com uma boa história que quando chegasse ao fim, chegasse ao fim. É, sim, uma delícia ler trilogias, quadrilogias, sagas, séries, porém em certo momento, isso cansa. Eu estava morrendo de vontade de ler algo que me fizesse fechar o livro com gostinho de quero mais – como todo livro deve acabar -, só para me descobrir presa em mais uma serie! Porque Sereia prende, mesmo que você morra de ódio por isso.

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